A redoma de vidro- Depressão não tem glamour

16:31

                                                   




"...Estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado."




A redoma de vidro foi escrito por Sylvia Plath e publicado em 1963. Foi o único romance da autora, mais conhecida por sua obra poética, foi escrito em uma época que  Plath sofria pela segunda vez com depressão e passava por um período conturbado de sua vida. A história é narrada e protagonizada por Esther Greenwood, uma jovem aspirante à escritora. O início do livro se passa em Nova York, onde ela está realizando um estágio na companhia de mais outras  garotas, mas diferente das demais, Esther não enxerga nada de maravilhoso nessa cidade tão famosa, ela acaba por se aproximar mais de duas garotas, Doreen e Betsy, ambas com personalidades totalmente contrárias. Mesmo nessa época Esther já demonstra alguns dos sintomas que levariam mais tarde ao diagnóstico de depressão (por exemplo, na sua última noite antes de regressar para casa, um homem tenta abusar dela e mesmo conseguindo sair dessa situação com uma marca de sangue no rosto ela não limpa o sangue e volta para casa com a mancha achando aquilo tudo ''normal''). Também nesse mesmo período descobrimos que ela estava comprometida com Buddy, um estudante de medicina com uma personalidade prepotente, mas que é essa prepotência toda que fornece alguns alívios cômicos na narrativa, ele acaba por contrair tuberculose e indo para uma clínica se tratar. Esther não o ama ou é apaixonada por ele, apenas continua com ele por causa de suas mães que apreciam a união. Quando Buddy decide pedi-la em casamento ela apenas responde que não pode, pois nunca irá se casar.
Quando regressa para sua casa começa a ter problemas de insônia e não se animar com mais nada que faz, ela passa noites sem dormir e passa a não trocar mais de roupa, pois não vê necessidade nisso. Com o tempo ela começa a ter pensamentos suicidas e ao procurar um médico este não lhe dar um devido tratamento apenas a indica para uma sessão de tratamento de choque que acaba por causar nela um grande trauma. Depois da primeira sessão ela decide nunca mais passar por isso, sua mãe fica aliviada com essa decisão por achar que apenas “loucos" passam por isso e sua filha estar passando por esse tratamento é uma vergonha para a família.
Os pensamentos suicidas continuam a persegui-la e mesmo cogitando algumas tentativas ela sempre acaba desistindo. Ela até mesmo planeja fugir ir para a praia onde seu pai a levava quando ele ainda era vivo, mas voltando até lá, ela não se sente como acharia que sentiria e volta para casa.
Um dia ela espera sua mãe sair, toma muitos comprimidos fortes e se esconde em um lugar no porão. Após alguns dias, sua mãe achando que ela havia desaparecido, acaba encontrando Esther semiconsciente e após isso ela é internada em uma clinica particular.
                                        
                                         
Sua estadia na clínica é paga por sua benfeitora da faculdade, que ao saber de seu estado decide ajuda-la, pois ela mesma já passou por isso. Lá ela fica aos cuidados da Dr.ª Nolan, que a trata bem e a ajuda a entender melhor seu estado mental. Na clínica ela própria questiona sua sanidade por muitas vezes.  O livro tem um final em aberto, não é dito o que acontece com Esther, se ela sai ou não da clínica é a pergunta que fica para o leitor. Mas se você quiser uma resposta basta pesquisar sobre a vida da própria autora, que acabou sim se recuperando dessa primeira depressão, mas na segunda vez acabou se suicidando. Ela morreu pouco tempo apos esse livro ser terminada.

     "Como eu poderia saber se um dia-na faculdade, na Europa, em algum lugar, em qualquer lugar- a redoma de vidro não desceria novamente sobre mim com suas distorções sufocantes?"


                                               

  Pois bem, quando eu peguei esse livro para ler, havia uma série de pessoas que falavam o quão forte era ele, e que se você tinha depressão devia evita-lo ou mesmo não tendo poderia se sentir incomodado. Quando comecei a ler acreditava que tudo isso era um mito, pois afinal o livro era maravilhosamente bem escrito e a narrativa era muito boa, havia momentos cômicos no livro que me faziam gostar ainda mais dele. Mas foi aí que eu percebi o motivo para esses comentários exagerados, o livro não faz uma divisão de quando a personagem começa a ficar doente, quando você menos espera, ela já estar tentando suicídio e sendo internada. É tudo narrado de uma maneira tão envolvente que você mesmo se vê como Esther, fazendo as mesmas coisas que ela e pensando como ela, e eu creio que seja assim nesses casos de depressão, é uma linha muito fina entre aquilo considerado saúde mental para esse quadro.

O que eu quero discutir aqui com vocês é que nessa época que  Sylvia Plath se matou muitas outras autoras também tinham tido depressão e tido o mesmo fim que ela, basta você pesquisar no Google ESCRITORAS SUICIDAS para ver o quão extensa é essa lista. Isso tudo criou duas vertentes de pensamentos: uma áurea de glamour sobre a doença, como se todo escritor só se tornava criativo ao chegar a esse estado. E se você fosse uma pessoa normal ter essa doença a transformava automaticamente em louca, em vergonha para a família, muitas eram internadas em clinicas que com esse pensamento a tratavam com terapias de choque.
Hoje a coisa não mudou muito, muitas pessoas associam depressão à loucura ou a drama e outras se usam desse termo para embelezar e romantizar essa doença, e a internet tá ai para comprovar isso. Você não deve comparar tristeza com depressão porque tristeza pode até durar muito, mas em pequenas coisas você ainda se anima, a depressão não é especificamente você se sentir triste, mas sim desanimado, e se irrita facilmente, você está triste e ouve uma música para tentar ficar melhor, mas com depressão você ouve músicas que antes lhe alegravam agora não fazem você sentir nada. Depressão não ajuda você a se tornar criativo para escrever, ela come sua criatividade como sua mente. Não a comparem com um coração quebrado porque um coração quebrado pode até ser consertado, uma mente quebrada é mais difícil.
Muitas pessoas não tem tratamento adequado por medo de revelar que estão doentes e ser discriminada ou não levado a sério. Ah, apenas profissionais podem de verdade afirmar se você tem depressão ou não. A mensagem que eu quero deixar para vocês é que não romantize a depressão, se puder espalhar só essa frase será importante, isso não é loucura, drama ou bonito, é uma doença séria que tem que ser tratada, pois se já é difícil tratar doenças físicas que você pode tocar a área que está afetada, imagine o quão difícil é tratar aquilo que não pode ser visto ou tocado?

Então é isso, eu super indico esse livro, não levem a sério quem diz que ele é "perigoso", mas saibam que ele é um tanto forte. Dei 5 estrelas e favoritei.

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20 comentários

  1. Vou ler o livro, Sarah! Gostei da forma como descreveu a depressão.
    Estar com depressão, não é frescura, muito menos loucura.
    Passei pela depressão, fui ao fundo do poço, fui internada com pressão 24 x 19, vômito, diarreia, não me segurava em pé e toda contorcida, pesando 55 quilos.
    Graças a Deus e à excelente equipe médica, me recuperei. A leitura, a costura e o trabalho voluntário foram muito importantes para a minha recuperação.
    Em 2012, em razão do desgosto com os meus filhos, de 95 emagreci 30 quilos em 3 meses, simplesmente porque entrei em depressão, mas Deus foi tão maravilhoso comigo, que colocou em meu caminho uma psicóloga, que vendo o meu estado, debilitada e acreditando estar louca de tanto que me falavam que estava, olhou para mim e disse: "Louca você não é, está fragilizada, mas vou te encaminhar para Franco da Rocha, para avaliação dos médicos.
    Foi a minha salvação Sarah E., porque eu estava pensando em me matar, novamente.
    Não podemos rotular as pessoas, muito menos negar ajuda, devemos encaminhar para tratamento, às vezes precisamos apenas de um olhar para nos salvar.
    Uma mente quebrada, para ser restaurada, precisa de muito amor!
    O melhor tipo de amor é o que doamos aos outros, porque nos retorna duplicado!
    Excelente final de semana, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  2. Sem dúvida, querida Sarah! Só juntos podemos chegar mais longe e, afinal de contas, não custa nada ajudarmo-nos!

    A tua crítica mexeu imenso comigo. Gostei do livro por falar em depressões que é um tema tão atual. Estando eu a passar por uma situação idêntica mas não tão forte quanto essa, faz com que tenha perceção de que existem pessoas em pior estado que nós e é precisamente nisso que nos devemos focar!

    NEW REVIEW POST | Facial cleansing wipes for Mixed and Oily SkinsInstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  3. Realmente , pelo que vi e li aqui é uma livro realmente forte, mas o tema, sempre pode acrescentar informações e é interessante! bjs, chica e ótimo fds!

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  4. Não conhecia. Acho que esse tipo de livros só pode ser perigoso para quem já tem esse tipo de tendências mas não sei...

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  5. Levo a sugestão... Se bem que a depressão faz_me alguma confusão...e sei pouco sobre o assunto!
    Bj e obrigada pela visita

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  6. Gostei da sugestão do livro. Depressão é uma doença e assim como qualquer outra doença deve ser tratada. Bjus!

    galerafashion.com

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  7. Não conhecia o livro, mas fiquei muito curiosa!

    r: Muito obrigada *.*

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  8. Não conhecia, mas parece ser bastante interessante!

    http://agatadostenis.blogspot.pt/

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  9. Muito obrigada pelo comentário :) E sim, de facto as amizades verdadeiras permanecem para sempre. E, na verdade, são essas as que realmente precisamos. Que sejam poucas, mas que sejam boas! Obrigada mais uma vez, bom fim-de-semana*

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  10. Não conhecia!

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  11. Eu tinha uma amiga que também glamourizava a depressão e o suicídio, tendo feito duas "ligeiras" tentativas, mas uma vez eu disse-lhe que a morte, ao contrário do que ela pensava, era feia, e ela concordou comigo.
    Beijinhos :)

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  12. Minha linda, pena que por aí não hajam aquelas toalhitas :( Contudo, aconselho imenso este género de produtos para quem, como eu, tem pele oleosa/mista!

    Sim, breve breve eu fico bem. Muito graças ao vosso apoio, por isso: muito obrigado <3

    NEW FASHION POST | Accessories That Match All
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  13. nao conhecia o livro mas mesmo sendo forte parece-me um excelente livro... infelizmente hoje em dia ainda ha bastante gente com depressao

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  14. Não conhecíamos o livro, mas achamos interessante ele abordar um tema cada vez mais presente que é a depressão, e por esse ser forte achamos que a leitura não deve ser indicada para quem está vivendo essa fase!!

    beijos

    http://www.onlyinspirations.blogspot.com.br/

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  15. Eu já ouvi falar desse livro e, inclusive, os mesmos comentários que tu ouviste. Contudo, até hoje, não me motivei em ler um livro como este. Porém, eu quero ler SIM. Até porque eu adoro as poesias da Sylvia Plath. Gosto da forma sincera e autêntica dela escrever. O assunto de depressão é muito sério. Pena que tem gente que trata de forma irrelevante ou, até mesmo, como um capricho da pessoa. Bela postagem. Beijinhos e uma ótima semana.

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  16. É um livro bastante impactante né. Me despertou muito a curiosidade, ainda mais por ser um tema tão presente hoje em dia.
    Beijos
    BlogCarolNM
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  17. Nunca li mas vou, com certeza, colocar na lista de leitura =)

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  18. A depressão é um tema tão atual e tão assustador. Não conhecia este livro mas pelo teu testemunho deve ser mesmo forte. Acho que aquilo que falaste sobre confundir a tristeza com a depressão é mesmo um grande problema e todos nos devíamos informar bem sobre esta doença cada vez mais presente em tantas pessoas.

    Givaway no blogue

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  19. Estou com saudade de você, Sarah!
    Gosto de suas postagens, você se expressa muito bem, precisa partilhar mais.
    Agradeço e informo que indiquei o seu blog ao "Prêmio Dardos"
    http://www.teceramor.com/2016/04/premio-dardos.html.
    Feliz final de semana, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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